Quando tinha uns 15 anos de idade, e comecei a me interessar mesmo por música, foi o período em que pus as mãos no Physical Graffiti, o sexto album do Zeppelin. Aquilo se mostrou uma revelação para mim.
Primeiro havia conseguido uma cópia em fita basf com algumas das músicas.
Depois, através de um amigo (cujo pai viajava constantemente aos EUA a trabalho), consegui o CD original completo, que era duplo e vinha numa caixa muito bem acabada, com um front-cover enigmático, que chegava a me deixar desconfortável quando olhava pra ele.
Apesar de todas as músicas terem sidos escritas antes de eu ter nascido, tudo que eu queria naquele momento, era ser igual a eles – coisa que depois percebi ser uma grande tolice.
Após escutar aquele álbum ficou claro para mim, que sem algum tipo de educação formal, alguma orientação, eu nunca iria conseguir tocar nenhum instrumento (muito menos bateria, que era a minha sina naquele momento). Além disso, aprender música nos tempos pré google era uma tarefa árdua.
Assim, alguns dias depois estava na Casa da Cultura de Joinville, fazendo uma entrevista para ingressar no curso de música. Faziam entrevistas, porque o curso era subsidiado pela prefeitura municipal. Por isso, era no mínimo necessário demonstrar interesse e comprometimento em fazer o curso. Porque o contrário, seria jogar dinheiro público no lixo.
No horário marcado cheguei para a conversa com o maestro. Era um senhor alto, de cabelos já meio grisalhos, com óculos pequenos de fundo de garrafa, vestindo calças xadrez. Ele escutava um tóca-fitas desbotado e debruçado sobre a mesa fazia anotações num caderninho. A cada passagem daquela música (que alguns anos depois descobri que se tratava de Love Supreme, provavelmente a mais famosa composição de John Coltrane, um dos maiores jazzistas de todos os tempos) ele rabiscava mais alguma coisa no seu caderninho.
Como me lembro de todos esses detalhes ?
Porque logo após o final a música e o tóca-fitas parar por completo, ele me me falou algo muito importante, mas que apenas faria sentido para mim vários anos depois:
“Eduardo, você sabe qual é a coisa mais importante para se apreender música ?!
“TER ÍDOLOS, com quem você possa aprender !!! ”
Essa foi a maior revelação, maior até o que o Physical Graffiti, pois acabara de descobrir que até maestros, que estudaram música por anos a fio, tinha admiração por outras profissionais e buscavam inspiração em outros músicos.
E o que isso tem haver com desenvolvimento de software ?
Para mim, TUDO.
Porque hoje eu transponho isso para o meu trabalho. Porque tenho admiração por diversas pessoas nas mais diversas áreas, algumas ricas, famosas e bem sucedidas, outras nem tanto. Em certas situações, meus ídolos são pessoas muito próximas a mim, pessoas que trabalham comigo. Pessoas que admiro por sua atitude, por seu comportamento ou pela forma como lidam com as situações do nosso dia-a-dia dentro da empresa. Pessoas que rotineiramente tento imitar, e não me envergonho por isso.
Acho que aos poucos vamos desenvolvendo essa capacidade de “absorver aquilo que as pessoas tem de melhor” e começamos a aprender ao máximo com elas. Porque não importa o quanto você saiba de karatê, alguém sempre vai saber mais, por isso é sempre bom estar pronto para aprender alguns golpes e truques novos.
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Legal Kruger, não posso deixar de registrar que existem muitas pessoas que também tem você como ídolo, sou umas delas!
[...] This post was mentioned on Twitter by francinefritzke, Eduardo Kruger. Eduardo Kruger said: http://coding4food.com/2010/08/31/tenha-idolos/ [...]
Muito bom o post,
além de bem diagramado gostei bastante do conteúdo… depois que tiver uma quantidade grande de posts, dá pra transformar em um livro!
E como o Sardagna disse,
Eu, como certamente muitas pessoas, o admiro…